A vida está por um fio. Este é o seu último instante.
Daqui a pouco poderemos ouvir seu último suspiro. Um sussurro interrompido. Uma
frase inacabada. Um tenro adeus não dado. Uma alegria embalada na tristeza: e virse
e versa.
Nenhum afago. No máximo um: “Eu te avisei”. Uma euforia
ao longe. Um olhar incrédulo, triste: o último. Uma súplica delirante de ajuda.
Um riso sarcástico. Do outro lado, um grito de dor. Um aperto no peito. Uma
ânsia de vômito. Um coração dilacerante. Um arrancar de cabelos. Olhos
esbugalhados. Um questionamento. O “por quê?” incontrolável. Nenhuma resposta!
O sangue escorre. Vermelho! A dor já não mais grita. O
socorro que não chega. A companhia invisível. Os abraços já não dados. Os
sorrisos inexistentes. As alegrias que se esvaem. Um filme na cabeça. Os “eu te
amo” não dados. As promessas incompletas. Os bens não conquistados. O melhor
que não ocorrerá. A (des)preocupação com o porvir alheio. A certeza
estampada. Sons de sirene. Burburinhos. O
desespero da amiga do colegial. A tentativa de ressurreição. Olhos atônitos. O
último sorriso (de dor, gratidão). Um olho que se fecha. Mais uma vida que se
vai. Fim.

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