quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

MOÇA



 Ei, moça, ele já foi. Pegou uma mochila, jogou algumas peças de roupas surradas dentro e se mandou. Levou consigo sonhos, histórias vividas, sentimentos latentes, alguns trocados no bolso e uma mente com pensamentos incógnitos.   O rosto não esboçava emoção (me pareceu, não deu para ver). Seus cabelos bem cortados e seu meio sorriso de outrora não chamaram minha atenção. Sabe-se lá se permanece imutável. Só tenho olhos para você, moça.
Moça, respire, acalme-se, ele já passou pela porta. Escutou a batida forte? E os murmurinhos? Então, ele se foi. Não se preocupe mais. Não agora. Ele está na estrada. Ouviu o ronco do motor?
Tem gente lá fora, percebe? Sei lá, os ânimos estão um pouco alterados ou as vozes estão confusas? Não tenho ideia, moça, só quero olhar para você. Saia daí desse chão frio, pode ficar resfriada. Levanta, vai, tenha forças! Não vá se perder olhando a janela depois, com pesar. Também não se confunda com um móvel de sua casa. Toma uma atitude, grita, sei lá. Pode chorar, moça: de alegria, por favor.
Imagino como deve ser difícil para você estar aí, desse jeito, sozinha, mas pense bem, talvez seja melhor. Ele seguiu seu rumo, saiu sem dizer adeus, contudo deixou marcas, não foi?
Quer uma água? Não consigo olhá-la desse jeito sem poder fazer nada, entende meu lado? Seu olhar e pensamentos estão longe... Preocupo-me com você.
Tá doendo? Seu coração parece que vai saltar pela boca. Não se aflija. Levanta daí! Acho que um dia vai passar, não vai? É assim mesmo, não é?
Moça, tem um corte em seu braço, repara. Não. São dois, três, quatro... perdi a conta. Seu sangue escorre (só agora percebi!).
Olha para mim? Seu olhar está longe, fixo em algo que não sei dizer. Nem pisca. Sua pele está gélida.
Não creio, moça, que vai partir assim. E seus anseios? E a casa que acabou de adquirir? E a faculdade que concluiu? E o sonho de viajar pelo mundo? Suas aspirações foram engavetadas, moça, e agora não há mais o que fazer. Vá em paz.


(Luzitânia Silva)

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A moça e o homem estranho

Era 22 de março de 2008. Um sábado. A moça acordou cedo e foi trabalhar. Dia estafante. Chegou tarde em sua casa, contudo ela resolveu aproveitar a noite. A cidade estava em festa e, na semana seguinte, ela propendia se despedir, pois havia conseguido obter nota suficiente para ingressar numa universidade federal. Foi a primeira de uma família numerosa a alcançar tal feito. 
Seu semblante era alegre, mesmo estando exausta. Trabalhara em pé o dia todo. Malmente se alimentou. As pernas latejavam. Marcou com uma amiga, escolheu um vestido leve, um pouco acima dos joelhos, selecionou uma sandália de salto confortável e saiu para se divertir. Lá, encontrou outros amigos e familiares, dançou e espaireceu. 
Não passou muito tempo e seu pai chamou-a para irem para casa. Ela, preocupada em encontrar alguém confiável para levar sua amiga que morava distante, mesmo seu corpo desejando descanso, preferiu ir em seguida, afinal, residia muito próximo ao local da festa.
Não demorou trinta minutos. Misturou-se a um grupo de pessoas que também retornava e seguiu adiante. Olhou para trás. Havia um moço caminhando de modo estranho. Ela seguiu seu caminho, agradecida por haver mais gente. 
Numa esquina, ela um pouco mais a frente, viu as pessoas seguirem um rumo díspar do seu. Uma aflição tomou conta de si. Resolveu apressar o passo. Num rompante, olhou para trás. Apenas ela e o homem estranho caminhavam naquela rua deserta. Havia certa distância, porém sentia em seu íntimo a necessidade de correr. 
Suas pernas doíam e tremiam tanto! Abaixou-se, retirou a sandália, contudo não havia mais para onde fugir. O homem estranho, que estava a metros de distância, a alcançou num piscar de olhos, a segurou firme, colocou a mão direita em sua boca e a ameaçou de morte. Ela tentou se defender, entretanto ele se esquivava e começou a arrastá-la pelos cabelos para uma rua ainda mais deserta e perigosa, enquanto ela tentava gritar.  Seus gritos trépidos eram praticamente inaudíveis.  
Passados alguns instantes, ouviu-se uma voz masculina, ao longe, ordenando ao homem soltar a moça. Outras vozes se misturaram. Ele correu. 
A moça, com tufos de cabelos arrancados, rosto machucado, segurando uma alça do vestido já descosturada, conseguiu entrar em sua casa sem que o pior ocorresse, graças a ajuda dos vizinhos.
Durante dias, foi o assunto da cidade. Inúmeras eram as versões da história:
- Deu ousadia!
- Também, com aquele vestido!
- Se fosse eu, tinha batido!
- Foi o namorado!
- Isso que dá arrumar homem estranho em festa!
- Bem feito!
- Não se deu o respeito!
- Claro que ela sabe quem é. Eu reconheceria!
No final das contas, a vítima foi considera culpada pelos juízes de plantão. Toda sua dor era reverberada a todo o momento ao notar os olhares de culpa e de pena.  Seu coração sangrava e poucos eram os que realmente se importavam. Ela virou estatística e sabia que, infelizmente, não foi a única e nem seria a última.


Luzitânia Silva

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ELEIÇÕES


(Luzitânia Silva)


Em meio a gritos, xingamentos, estresses, acusações, polêmicas, desejos de mudança, atentado, dancinhas, miscelânea de candidatos (treze, no total), incertezas, manifestações, gritos e pontapés, está chegando o dia da eleição de presidenciáveis da República Federativa do Brasil. Não só de presidenciáveis, diga-se de passagem, mas também de deputados nos níveis estaduais e federais, senadores e governadores.
Não sou cientista política, estudiosa da área, mas como cidadã que, obrigatoriamente (e curiosamente), nesta democracia, deve votar, imagino esta eleição como marcante para história do nosso país, e salvo engano, com dois lados antagônicos fortemente evidenciados: o de Luís Inácio Lula da Silva e o de Jair Messias Bolsonaro. Perdoem-me os demais candidatos e seus respectivos fiéis eleitores, mas nesta, por enquanto, os dois têm se sobressaído.
O primeiro, diga-se de passagem, um então presidiário, ex-presidente da República que, após toda a instabilidade da candidatura, foi compelido a ceder o lugar para o então vice, Fernando Haddad.
O segundo (e polêmico), talvez pelo nome do meio, tem sido visto, por alguns, como um ser miraculoso, capaz de salvar a pátria, apesar do seu estilo, no mínimo, peculiar. Ambos endeusados, amados e igualmente odiados.
Nesta seara de candidatos, em meio à ideia pífia de mortadelas e coxinhas, esquerdopatas e bolsominions, medo, discursos raivosos e rejeições, tenho observado uma cegueira coletiva e muita gente estupefata. Grandes amizades, como sempre, em virtude da política partidária, vêm sendo destruídas e a propagação de ódio toma conta das redes sociais e do cotidiano das pessoas. Simplesmente parece que perdemos a compostura, a razão, a sensatez, o poder de ver o que está defronte aos nossos olhos. E o pior, por candidatos, no mínimo, controvertíveis.
Com a ausência de um presidenciável e um vice, a meu ver, bons o suficiente para trazer melhorias a toda população brasileira, especialmente a menos favorecida, fico ansiando para que haja a escolha menos problemática possível e nós, devidamente desarmados de preconceitos, de coadjuvantes, passemos a ser, de fato, os protagonistas desta nossa história que está longe de terminar.

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. (Martin Luther King)




segunda-feira, 6 de agosto de 2018

OUSE OUSAR



Ouse!
Por mais que seus anseios pareçam loucos, se valem a pena, não deixe de tentar colocá-los em prática. Caso haja dúvidas, indubitavelmente, tente. Ouse ousar.
Ouse ouvir o canto dos pássaros, visitar amigos, deliciar-se consigo, cozinhar algo extraordinário para si, dançar na chuva, viajar, sorrir, abrir os braços para sentir o vento, plantar uma árvore, brincar, abraçar alguém, fazer seus hobbies, escrever um livro, vestir aquela roupa estranha para os outros e incrível para você.
Não deixe de ousar!
Voe! Aprenda algo diferente, arrume-se para você, não se sujeite a nada que te faça infeliz. Mude de direção quando preciso for, não permaneça onde não te cabe, onde o desconforto seja existente.
Segue teu rumo, moça (o)! Olha para frente, mas não se esqueça de observar quem está ao seu lado ou atrás... Você precisa traçar seus caminhos com liberdade e estender as mãos. Não cometa o engano de se achar autossuficiente a ponto de acreditar que não depende/dependerá de ninguém.
Escute quem te quer bem, contudo tome suas próprias decisões.
Ouse discordar (inclusive de mim)! Não há verdade absoluta. Tudo depende do ângulo observado.
Seja responsável, correto, entretanto não se martirize ao cometer algum deslize. Relaxe, somos humanos.
Seja grato!
Gratidão pode ser a mola propulsora necessária para a engrenagem de sua vida. Aliada à positividade, você certamente colherá excelentes frutos. Vai por mim, ser negativo pode trazer malefícios incomensuráveis a sua vida.
Ouse amar!
Primeiro a si mesmo. O autoamor é primordial. É aquela máxima: “quem não se ama, como amará outro alguém”?
Ouse ser aprazível, cultivar e demonstrar sentimentos bons.
Ouse se olhar em frente ao espelho e perguntar: “O que fiz, o que estou fazendo e o que farei de minha vida?”. Reflita o máximo possível, escreva num papel e trace estratégias para realizar os objetivos esperados.
Acredite em você! Você tem potencial, lapide-se.
Cometa loucurinhas saudáveis de amor. Isto pode ser interessante para estreitar ainda mais os laços de afeto num relacionamento.
Ouse ousar e viva!
Você não veio ao mundo tão somente para existir.
A vida é um sopro: Aproveitemo-la infinitamente antes fim.



Luzitânia Silva

sexta-feira, 27 de julho de 2018

MEUS ERROS


(Luana Assis)

Estou dando mole. Eu sei. Nem precisa discorrer. Brinco com fogo e não tenho cautela. Cuidado! Vou me queimar. 

Amedrontada, por vezes, ainda assim, continuo a cometer os mesmos erros. É até esdrúxulo, paradoxal. Erros antigos cuja única mudança diz respeito aos envolvidos: sou figurinha carimbada. O contexto é quase imutável. 

Sem sibilar faço charme. Sorvo tua bebida, me deliciando ao te ver me deliciar. Acho graça e tiro onda. Rio alto. Subo no salto. Pisco e encanto. Deixo marcas vermelhas do meu batom no teu rosto e onde mais intenciono. O propósito de fato é abalar todas as estruturas possíveis. Jogo sem me atentar às regras criadas apenas para importunar minha inteligência.

Brinco de ludibriar alguém e saio iludida. Descaradamente sou santa até que provas contrárias sejam apresentadas contra mim. E não é difícil de achar. Deixo rastros diariamente para me incriminar enquanto rio, atrevida, até que a verdade antes esconsa venha à tona e as lágrimas escorram pelo meu rosto e eu culpe outrem pelos erros meus.

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PESADELO




Madrugada fria, palavras ao vento, uma voz do outro lado do telefone... Ouço um sussurro, letras que não casam, frases soltas no ar... Agora estou só. Sinto-me exatamente assim. Abraço minhas pernas enquanto sentado, meu coração almeja saltar, gritos querem sair da garganta desesperados, lágrimas quentes insistem em aquecer meu rosto. Estou só.
Não, não aguento essa dor estranha, esse pressentimento que me adoece, esse vazio dilacerante, a tristeza que se alojou em meu peito. Parece doentio, mas preciso de você e já sinto falta de sua presença em minha vida. Em minha cabeça, vejo-te escorrendo por entre meus dedos, andando praticamente sem olhar pra trás, em busca de outra direção. Não hei de te deixar ir assim, não é justo. Sou homem, porém não me envergonho de confessar meu medo.
Nunca imaginei que sentiria tanto. Saudade pra mim tem nome, cheiro, sorriso e endereço. Endereço longe do meu. Infelizmente.
Descabelo-me por alguns instantes, arquiteto planos, respiro fundo, tento entender cada detalhe. Pode parecer insano, contudo já me arrisco em me imaginar sem você. Vejo-me menos feliz. Falta-me desde já o que me transborda. A cabeça dói, tudo fica ainda mais confuso e embaçado. Abro os olhos e te vejo lindamente dormindo ao meu lado. Ufa! Foi apenas um pesadelo! Deixa-me te acarinhar, aconchegar-te em meus braços, sentir o perfume da tua pele e de seus cabelos, minha linda princesa.


(Luzitânia Silva)

ENCONTRO E DESPEDIDA


Ele estava chegando. Ela fez como Saulo: arrumou a casa e preparou o coração, esperando a chegada tão sonhada do seu amor. Coração batia forte e uma ansiedade gritava em ambos. Os passos seguiam rumo à mesma direção, o fortalecimento da intimidade e do amor dos dois.
Ela sorriu e se apressou em cumprir com seus deveres. Estava meio nervosa. Em poucos minutos ele entraria em sua casa e tomaria conta por completo do seu coração.
Resolveu inventar algo a fazer. Se ficasse o esperando, o nervosismo e a ansiedade tomariam conta por completo. Não seria nada legal que ele viajasse tanto e a encontrasse de mau humor e meio histérica.
Ele já havia chegado. Estava sentado à sua espera. Ela chegou com um sorriso nos lábios e meio sem jeito. Deram-se um abraço apertado e seguiram juntos à casa onde ela residia, o que para os dois era uma novidade e meio estranho até.
Após os momentos necessários para se sentirem confortáveis e tranquilos com a novidade, depois de poderem se abraçar verdadeiramente, aproveitando e sentindo o conforto um do outro, o toque, o cheiro, as emoções, o corpo... Depois de todas as novidades ocorridas, quando um não queria deixar escapar o outro... Ele teve que ir. Partiu novamente e a deixou ali, no mesmo lugar, porém não do jeito que a encontrou.
Ele se foi.
Ela ficou, mas uma parte foi com ele naquele ônibus.


(Bela de Azevedo)

DOCES LEMBRANÇAS





Ouço o canto das aves ao longe
Tão longe e tão perto...
Distante do mato,
Afastado da cidade
Mas dentro de mim,
Enfim...
Não tem aves aqui
Quase tudo se foi, se perdeu
Meu coração doeu
Mas a vida é assim...
Foram – se os verdes, os azuis, as cores e as flores
Porém as lembranças boas não sairão de mim.



(Luzitânia Silva)

Retrato Familiar




Há sombras
E mesmo assim o povo sorri
O povo que chora
Ó povo, quantas inglórias!
Ainda assim fazes festa
Dança, canta, pula
Para exorcizar os demônios
e trabalha
Quanto trabalhas meu povo!
Chega a indignar quando te chamam de baiano preguiçoso!

Vês aquela mãe faminta?
Acabou de dar o pão aos filhos.
Enxergas aquelas mãos calejadas?
O homem trabalha na roça para alimentar a família.
E aquela criança com roupas largas e chinelo de dedos?
Repara.
Vai à escola almejando um futuro
Porque o presente amedronta
Todavia a criança ainda sorri
Não reclama e ainda sonha
E como é bom sonhar!
Levanta a cabeça,
Guarda tua dor no bolso das tuas vestes surradas,
Mas não desista de lutar.

(Luzitânia Silva)

O verdadeiro herói




O que faz de você um herói?
Seria a beleza exterior descomunal?
A facilidade de vencer o mal?
Coragem para ultrapassar os obstáculos?
Lutar contra o monstro-polvo e seus tentáculos?
Defender o mundo do perigo?
Ter a agilidade de um falcão peregrino?
Ser guiado apenas por ideais nobres e altruístas?
Não permitir-se ser egoísta?
Seria o fato de ser motivado por questões moralmente justas e éticas?
Nunca se submeter à ilicitude mesmo que em situações adversas?
Digo-lhe, amigo: Nada disso é heroísmo!
O verdadeiro herói tem defeitos
Sente amor, rancor, tristeza, ódio...
É imperfeito.
Chora por não ter dinheiro para comprar
a comida para o rebento se alimentar
Paga caro para viver numa nação
Onde a minoria dita e passa a mão
no que é pertencente a todos nós
Heroísmo é trabalhar duro
Para criar os próprios filhos e os demais
Ser herói é viver num país
onde tudo tende a dar errado
e ainda assim,
desafiamos a previsão
e fazemos acontecer!

 (Luzitânia silva)

A importância da alimentação saudável


Ana, uma garotinha de onze anos, com aparente quatorze, loira, dos cabelos encaracolados e olhos amendoados, foi visitar sua amiga, Cátia, de doze anos que morava próxima a sua residência.
Após conversarem, brincarem, rirem a tarde toda, com consentimento da mãe de Cátia, resolveram sair para comer algo na pracinha propínqua. Sua amiga optou por salada de frutas, já Ana, como de costume, preferiu um cheeseburguer com batata-frita e refrigerante para acompanhar. Posteriormente, ao voltarem para casa, Ana, enjoada, começou a sentir dor de cabeça, dificuldade de respirar e tontura. Tiveram que parar no percurso, visando a melhora desta, contudo não obtiveram êxito. Um senhor que notava o ocorrido, ofereceu carona até o hospital e, mesmo hesitante, ela concordou. Seus pais foram acionados imediatamente, mesmo Ana acreditando ser apenas um mal estar passageiro.
Chegando ao hospital, ela foi logo atendida, queixando-se também de dor no peito e visão embaçada. Seus pais a acompanharam na consulta. Após os procedimentos necessários terem sido realizados, como a medição da pressão arterial, o médico relatou que o problema poderia estar relacionado à hipertensão, explanou a necessidade da alimentação balanceada, especialmente porque Ana e os pais aparentavam estar com sobrepeso. Ele ainda a encaminhou para um nutricionista e endocrinologista almejando melhor diagnóstico. Alertou ainda que, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) a hipertensão arterial é responsável pela morte de 9,4 milhões de pessoas por ano, em todo mundo, além de estar relacionada com 45% dos ataques do coração e 51% dos derrames cerebrais.
Depois do ocorrido, todos aprenderam a lição e passaram a valorizar a alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos, afinal, mudanças no estilo de vida são fundamentais.


(Luzitânia Silva)

Esperanças

Leve de mim
Meus ossos
Meu coração pulsante,
Extirpe-o do meu peito
Pena que já pisastes antes!
Arranque meus olhos
Sugue o meu sangue
Destrua minhas entranhas
E meu cérebro errante
Não permita que eu sinta o teu cheiro
Cheiro doce e inebriante do pecado
Toma minha carne
Finda minha vida
Aproveita e suprima minha alma
E leve contigo as esperanças
Essas últimas e insensatas que insistem em não morrer...


(Bela de Azevedo)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Motivacional


Sim, a gente precisa de luz. A gente precisa crer que as coisas darão certo e que isto não ocorrerá num piscar de olhos. Não é tão somente fazer um pedido à estrela cadente. Não se trata de esperar um milagre enquanto se está sentado, de braços cruzados. Não é permitindo que a mesmice e o cansaço invadam nossos lares. Certamente não é deixando o automático ditar as regras. Sim, as coisas melhorarão no momento certo, após arregaçarmos as mangas, entendendo que há o instante de parar e o de lutar com todas as garras possíveis. Fazer diagnóstico da solução é indispensável. Saber agir através dele é  mais importante ainda.
Nadar, nadar e não chegar a lugar algum é ruim. Morrer na praia não é o almejado, mas certamente não nadar é muito pior.
Bom dia!
Beijos de Luz

quarta-feira, 30 de maio de 2018

HOJE QUERO ME EMBRIAGAR


Hoje quero me embriagar. 
Tomei álcool o suficiente para deixar de lado minhas inquietações, no entanto o efeito foi contrário. Tomei algumas taças de vinho, porém só tua voz e imagem ficaram impregnadas em minha mente. 
Agora estou um pouco tonta, sonolenta e reflexiva, mas ainda quero me embriagar.
Quero me embriagar e não é do vinho que há dois dias vem se fazendo presente. 
Quero me embriagar do teu amor, do teu suor, da tua pele, do teu cheiro.
Quero me embriagar por completo da tua voz, dos teus gemidos, do teu ser.
Estou sedenta agora e não é de água, nem do álcool ou algo parecido. Minha sede é de você, minha droga é você, porque só penso em ti. No entanto, como não te tenho, mesmo te querendo, quero outros sem querê-los e me querem sem querer-me e, no fim, fico só à tua espera.

(Luana Assis/Luzitânia Silva)

GAROTO




Deixa eu te amar, garoto. Não se amedronte com o que há de vir. O futuro vem, mas o presente existe e não podemos descartá-lo. Não o deixe de lado, escondido no canto. Ele é dádiva e precisa ser vivido.
Permita te amar, meu garoto. Sorria pra mim faceiramente, deixe-me te provar que a felicidade existe e está dentro de nós, só quero ajudar a descobrir a sua, ao mesmo tempo em que buscarei encontrar a minha.
Garoto, quantas vezes te vi sozinho, andando jovialmente, despreocupado, vestindo roupas leves e com um sorriso estampado na face?! Gostaria de te enxergar assim de novo, meu amor, mas em relação a seus sentimentos.
Queria que amasse de modo mais leve, sem amarras, sem temores e sem dramas. Somos tão jovens! – Já dizia o poeta certeiramente – e como somos! Porém entendo que não pode apagar suas feridas e viver de imediato como o jovem que de fato és, meu garoto. Sugiro apenas que se busque viver sua juventude antes do término, já que a vida passa e às vezes nem vemos.
Aprochegue, meu menino/homem! Vem fazer morada em meu peito e se desprenda do medo, amor! Seguiremos juntos, do nosso jeito, até que a eternidade se finde e o “nós” seja apenas eu e “você” dissociados.


(Luzitânia Silva)

CARÊNCIA




Mendigar carinho e atenção é furada. Você acaba falando demais, contando seus segredos mais profundos, demonstrando suas fragilidades pra pessoas que muitas vezes não estão a fim de ouvir, ou pior, podem usar tudo contra você depois.
É difícil compreender, todavia nem todo mundo é seu amigo, nem todos querem seu bem e seus amigos não são psicólogos. Ocorre que eles também tem seus problemas, dificuldades e não são super-heróis. Erram, acertam, falam coisas impensadas e não concordam com tudo o que diz ou pensa, mesmo por vezes afirmando só pra você não ficar na pior.
Sei das dificuldades de hoje em dia, dessa falta de respeito ao próximo e solidariedade. Nem falo de amor. Falo do que é simples e o básico do básico.
Reclamamos de falta de tempo, do tédio, da fugacidade da vida, da falta de apego, das pessoas desinteressadas no bem comum. Mas e nós? O que estamos fazendo acerca disso? Será que somos tão perfeitos assim? Claro que não!
Propiciamos coisas negativas quando não agimos para a melhoria ou ficamos em cima do muro. Não faço menção da melhoria global, mas daquela local, que parece mínima e desinteressante, contudo é de grande valia e faz grande diferença.
Em meio a essa carência, onde buscamos amizades virtuais em detrimento das reais, procuramos estar inseridos num grupo          que, por vezes, nada tem a ver com nossa personalidade ou nos sujeitamos a situações arriscadas para ser aceitos, nos jogamos num abismo onde nossa vida se resume a ficção e nossa individualidade vai se perdendo aos poucos.
Sim, devemos nos policiar pra não acabarmos no fundo do poço, principalmente quando estamos carentes e algo nos seduz, nos tomando por completo, roubando nossa lucidez.

(Luzitânia Silva)

A GREVE DOS CAMINHONEIROS

Tenho cá minhas objeções a respeito da greve, porém, caso pudesse  dar um conselho aos caminhoneiros, sem titubear, diria: “Por favor, voltem às suas atividades, as coisas estão perdendo o rumo e isto não é necessariamente bom. Decerto, às vezes é imprescindível o caos para sairmos da zona de conforto, porém até que ponto vocês têm de se martirizar para mudar um país que não quer ser mudado?”.
Nem todos os aspectos desta greve que assola nosso país e afeta nossas vidas são, de fato, conhecidos, contudo, de forma inegável, a importância do caminhoneiro agora, mais do que nunca, é.
Indubitavelmente, seu trabalho é deveras difícil. Só quem vivencia pode discorrer com propriedade todos os problemas advindos da profissão. Por conta disto questiono:
“Sacrificar-se por pessoas, em sua maioria, acomodadas, vale a pena?”
Tenho observado indivíduos dando “jeitinhos”, visando lucros exorbitantes através da cobrança de preços abusivos. Já outros, habituados a reclamar dos valores absurdos dos produtos, comprando muitíssimo mais caro que o habitual. Isto é, apoiar uma classe já sofrida, com dias com incertezas, sem tomar banho direito, sem se alimentar devidamente, sujeita a intempéries?
Decerto, por conta de minhas suspicácias, tenho preferido apenas ficar observando os acontecimentos (e isto não me faz bem, confesso), concatenando e aguardando o momento, para mim, oportuno. Sinto-me na música intitulada “Ideologia” de Cazuza: “Aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo encima do muro”.
Por certo, estamos todos no mesmo barco e devemos nos unir em prol de algo maior e melhor, contudo adianta sofrermos ainda mais agora, nos desgastando ao extremo, se muito provavelmente, votaremos errado nas próximas eleições? Intervenção Militar é a solução? Temer é o único corrupto? Tirá-lo tão somente da presidência resolverá? Apenas em Brasília há corrupção? Receio que não! Precisamos estudar de modo minucioso a história do nosso país. De antemão, o mal (e o bom) do Brasil é o brasileiro. A gente tem (em todas as instâncias) o governo merecido. Somos a vítima e o próprio algoz.
Outubro está chegando: vamos repetir os mesmos erros? A hora de revolucionar se aproxima, estamos realmente preparados? Quem vai pagar, mais uma vez, toda essa conta?
Aguardemos cenas dos próximos capítulos.
(Luzitânia Silva)

segunda-feira, 28 de maio de 2018

NÃO SE APAIXONE POR MIM


 Não se apaixone por mim. Eu te alerto! Não sou tão boa quanto pensa, nem tão pura, nem tão frágil. Para ser sincera, sou o oposto do que vê, mesmo sendo o que te permito enxergar. Sou um paradoxo e te proponho não tentar me entender. Já desisti faz é tempo!
Sorrio pra ti todos os dias, fingindo não saber dos teus sentimentos a meu respeito. Está se enganando ao pensar que sou tão simples e até pueril. Sou guerreira brava. Uma loba em pele de cordeiro e o contrário.
Não sou promíscua, nem santa. Sou apenas alguém cheio de erros e acertos, como todas as pessoas vistas por aí, mas sou diferente e não vou tentar te explicar como. Permitirei me enxergar nas entrelinhas e isso é tudo.
Não se iluda comigo e meu coração volúvel. Ele só se apega a quem não pode se apegar.
Quero viver amores sim, porém você não é quem pretendo. Sou radical e você não faz parte dos meus planos de enamoratização, todavia podemos ser amigos. Isto podemos e me enche os olhos.
Por favor, não seja tão inconsequente a ponto de se apaixonar. Não faça isso com tua sanidade mental.



(Luzitânia Silva)

domingo, 27 de maio de 2018

VIVA O PRESENTE

VIVA O PRESENTE
Para que viver do passado, se o teu presente te chama?
Ou pensar demais no futuro, se o teu verdadeiro “eu” clama?
O passado é para ser lembrado, o futuro para viver o que há de vir;
Mas o presente nem sempre dá motivos para nos fazer sorrir.
A importância que damos à vida
é o que distingue o nosso ser do não ser;
O que difere a vida do nada,
e o que faz nossa existência deveras acontecer.
Se pensares demais nos teus feitos ou quiçá no que há de fazer,
farás menos para pensar amanhã,
e serás menos do que deveria ser.
Se não há motivos para rir no momento,
busque engenho, arte e ardor,
não se nasce na vida com tudo pronto, mas antes de tudo nasce o amor.
(Luzitânia Silva)

COMO ENCONTRAR O AMOR DE SUA VIDA

(Luzitânia Silva)
Certamente, ao menos uma vezinha, você já almejou encontrar a metade da laranja. Talvez já tenha chorado até soluçar, pedindo para o Pai Celestial uma resolução imediata para sua carência e desalento nos dias tortuosos. Suspeito, inclusive, que após as bebedeiras com seus amigos, vendo inúmeros casais se formando enquanto se encontrava sozinha, tenha se martirizado, metido o pé-na-jaca, cometendo loucuras inenarráveis e causadoras de arrependimentos, fazendo se sentir envergonhada de sair de casa ao menos nos próximos duzentos anos.
Caso seja supersticiosa, não tenho dúvidas acerca do sofrimento e afogamento do pobre Santo Antonio. Possivelmente já acendeu velas, ajoelhou-se no chão frio, fez até mandinga e o pior, depois de tudo isso, esperando um príncipe-encantado, você só encontrou sapo que, mesmo beijando e tudo o mais, não houve jeito dele se transformar conforme descrito nos contos de fadas.
Entendendo o seu martírio e necessidade de encontrar esse tal amor intenso e verdadeiro que move montanhas, não poderia deixar de te dar algumas dicas infalíveis para a sua identificação. Sugiro usá-las sem moderação, e complementando-as com outras consideradas viáveis. São elas:
• Valorize-se!
Cuide de sua aparência e de sua mente, invista na sua educação, pratique atividade físicas e não se contente com menos que você merece. Nunca abandone seus valores por ninguém.
• Liberte-se!
Não se atente a conceitos e regras moralistas pré-estabelecidos que te fazem mal, tornando-te num ser estático e sem personalidade.
Se quiser dançar, dance! Vista aquela roupa amada que te orientam a não usá-la por conta do seu peso, sua altura ou em virtude desta não ficar do mesmo modo que naquela modelo cheia de photoshop. Faça aquela tatuagem e corte ou tinja o cabelo daquele jeito almejado.
• Curta-se!
Saia com pessoas queridas, divirta-se com seus amigos, entretanto não esqueça de aproveitar um momento só seu. Leia um livro, assista filmes, viaje sozinha ou fique fazendo nada. Se você não se suporta, dificilmente alguém te suportará.
• Olhe-se no espelho!
É importante se amar, ter respeito por si mesmo e se apaixonar todos os dias por alguém que te compreenda e te aceite com suas particularidades, seus defeitos, seu temperamento, sua TPM infernal e tudo o mais advindo de você.
Vale a pena se olhar no espelho e ter a confirmação de que você é o amor da sua vida e não há ninguém mais importante pra você.
Se ame, mulher! Deixa o outro ser companhia não sua razão de existir.


Aprender a esquecer

( Luzitânia Silva)

Mais um dia está passando nublado aos meus olhos e eu, ao fitá-lo, sinto uma parte de minha fugir com o tempo. Não sei o motivo, mas ainda não aprendi a esquecer. Até agora não descobri como ler nas entrelinhas. Não consegui deixar as coisas partirem de forma simples, como as águas do rio que se movem constantemente.
As águas seguirem seu curso é algo lindo de se ver, admiro-as por deixarem-se ir e poder contemplar outras paisagens, contudo não consigo imitá-las.
Anseio, em excesso, por algo que possivelmente não terei. Entrego-me de maneira fácil quando me sinto disposta, sem amarras e sem segredos. Não sei ser a metade de mim. Infelizmente não sou capaz de fingir. Ofereço-me por completo e me jogo de cabeça, mesmo estando numa caverna e sem luz para me guiar.
Manter relacionamentos amorosos é uma das minhas maiores dificuldades, pois não consigo dosar, esconder meus defeitos com intuito de agradar e impressionar alguém.
Exponho-me às pessoas queridas. Se amo de fato, decerto não me tornarei misteriosa, não cultivarei segredos. Simplesmente sou conforme vês e isso amedronta (e cansa), presumo.
A nebulosidade do dia, mesmo se o sol está alto, tem mais a ver comigo do que com o dia em si. Estou triste por dentro e isso dói. Dói saber que não mais terei as oportunidades perdidas: você não está aqui.
Dói saber da não ocorrência de nosso encontro, e por isso não andaremos de mãos dadas na beira da praia, não tomaremos sorvete juntos, riremos ou nos veremos mais.
Dói saber que te intimidei e em nossa relação nunca existiu um “nós”. Na verdade, ela sequer houve. Meu peito pulsa ainda mais agora, quando me dou conta de que em nenhuma circunstância transcorrerá.
Dói profundamente tudo em mim porque Você se foi.

Devo aprender a esquecer.


domingo, 8 de abril de 2018

CONFLITOS E AFLIÇÕES (adolescentes)

Meu amor não é fescenino
Palavras obscenas não fazem parte do meu vocabulário
Meu coração fervoroso não te ilude
Não me entrega de modo torpe nem nas folhas do meu diário.
Se o teu verbo tenta agredir a minha índole
Se meu rubor não significa para você o meu pudor...
Na minha face vermelha a vergonha
E no meu coração a palavra amor.
Que queres que eu te faça,
Se te amo com veemência?
Se às vezes tu confundes
Bem querer com indecência.
Se bebo o teu cálice num trago
E me afogo em teu sorriso...
Se me embebedo ao te olhar
E mesmo entre outras pessoas, te preciso...
Por que alucinas minha mente?
Por que me fazes delirar?
Sou ainda tão menina
Inocente de amar.
(Luzitânia Silva)

terça-feira, 13 de março de 2018

METAMORFOSE

Através dos teus olhos vi o mundo
E é com meus olhos chorosos que te enxergo
Olhos que antes estavam cegos e agora tem um ar de sofreguidão.

Os meus ouvidos antes surdos escutam tua voz, quente como o sol
Mas é da tua boca quando está inquieta
Que sinto minha alma na tua
O encontro de dois mundos semelhantes e diferentes entre si
É através de teus lábios que o teu beijo estala em minha boca
Nossos caminhos se encontram e vivem em constante harmonia
Mas é do teu coração corrupto que bate à toa
Que eu vejo claramente as tuas faces.

A razão me invade e me consola
Nossos atos não se entendem
Nossos gestos passam a ser diferentes de outrora.
Nossos corpos perderam a alma
Nossos sorrisos perderam o gracejo
Criamos um mundo de iniquidade
E a fortaleza era nosso desejo.

Achava que o “para sempre” seria eterno
Confundia-me só em pensar que não era utopia
Desiludi-me quando logo descobri
Que era falcatrua o que chamávamos alegria

Um dia vi teus olhos serenos
A tristeza os consumia...
Logo após os vi maldosos
Sem a paixão que nasceu um dia.

Tu fizeste o meu suspiro ser de tormento
Mas dessa forma fui despertada do que me afligia
Descobri nos teus atos minha força
E hoje vejo que tudo não passou de fantasia.

Sei que não estou isenta de culpa
É fato que errei também
Todavia, vivemos em plena METAMORFOSE
E esse mal só me ensinou o que é o bem.

Às vezes aturdimos nossos pensamentos
E acreditamos que nossos sonhos estão perdidos no universo
Buscamos na vida o nada
Enquanto do tudo depende nosso progresso.

Olhemos nossas vidas com coragem
De nada vai adiantar ter medo da escuridão
De qualquer lado pode haver o precipício
Mas só o amor verdadeiro salvará teu coração.


(Luzitânia Silva)