terça-feira, 13 de março de 2018

METAMORFOSE

Através dos teus olhos vi o mundo
E é com meus olhos chorosos que te enxergo
Olhos que antes estavam cegos e agora tem um ar de sofreguidão.

Os meus ouvidos antes surdos escutam tua voz, quente como o sol
Mas é da tua boca quando está inquieta
Que sinto minha alma na tua
O encontro de dois mundos semelhantes e diferentes entre si
É através de teus lábios que o teu beijo estala em minha boca
Nossos caminhos se encontram e vivem em constante harmonia
Mas é do teu coração corrupto que bate à toa
Que eu vejo claramente as tuas faces.

A razão me invade e me consola
Nossos atos não se entendem
Nossos gestos passam a ser diferentes de outrora.
Nossos corpos perderam a alma
Nossos sorrisos perderam o gracejo
Criamos um mundo de iniquidade
E a fortaleza era nosso desejo.

Achava que o “para sempre” seria eterno
Confundia-me só em pensar que não era utopia
Desiludi-me quando logo descobri
Que era falcatrua o que chamávamos alegria

Um dia vi teus olhos serenos
A tristeza os consumia...
Logo após os vi maldosos
Sem a paixão que nasceu um dia.

Tu fizeste o meu suspiro ser de tormento
Mas dessa forma fui despertada do que me afligia
Descobri nos teus atos minha força
E hoje vejo que tudo não passou de fantasia.

Sei que não estou isenta de culpa
É fato que errei também
Todavia, vivemos em plena METAMORFOSE
E esse mal só me ensinou o que é o bem.

Às vezes aturdimos nossos pensamentos
E acreditamos que nossos sonhos estão perdidos no universo
Buscamos na vida o nada
Enquanto do tudo depende nosso progresso.

Olhemos nossas vidas com coragem
De nada vai adiantar ter medo da escuridão
De qualquer lado pode haver o precipício
Mas só o amor verdadeiro salvará teu coração.


(Luzitânia Silva)



RECUSO-ME

Perdoem-me, mas não deixarei de ser sentimentalóide. Não que eu não almeje, no entanto ainda sou cafona em demasia para modificar-me por completo.
Perder isso de mim é como sacrificar minha essência, o ar, a vida.
Certamente isso pode soar meio idiota, exagerado ou esdrúxulo, entretanto são características minhas e, por mais que eu venha me moldando, a velha rabugenta "eu" ainda domina a maior parte de mim, mesmo lutando fortemente contra ela.
Sim, já não adolesço como outrora e foram inúmeras as primaveras que passei, mas me recuso a desacreditar no amor e no ser humano. Recuso-me a ser tão velha a ponto de desistir da vida, do romance e da felicidade momentânea.
Recuso-me a me moldar de acordo com os anseios de uma maioria que não sabe o que quer e só faz apontar defeitos. Recuso-me a viver sem risos, micos e besteiras. 
Recuso-me a viver entediada sempre e abdico qualquer sentimento cuja intenção seja apenas me deixar infeliz. 
Recuso-me a aceitar e recusar tudo indiscriminadamente, e, pra falar a verdade, recuso-me a pedir perdão pelo que sou.

(Luzitânia Silva)

ONDE VOCÊ ESTÁ?

Todos os meus dias têm sido análogos, a pesar das diferenças. Pode até parecer contraditório no primeiro olhar, mas calma, vou lhe explicar.
Tenho inúmeras tarefas e os meus dias, em partes, não são nada iguais. Faço mil e uma coisas, pratico atividades físicas, cuido da casa, da família, das atividades do meu trabalho remunerado, dos não remunerados, dos estudos, de mim... Ufa! Cansa só de pensar. Mas até aí tudo bem e devo ter inclusive esquecido de algo. Ah, lembrei! Na verdade nem cogitei a ideia de esquecer-me do motivo da igualdade dos meus dias: você.
Pois Bem, penso em você por horas a fio e é uma sensação gostosa e dolorosa concomitantemente. Gostosa como o teu sorriso magnífico, estampado de dentes brancos, a ternura e encantamento de seus olhos. Dolorosa porque a saudade maltrata e bate forte como açoite.
Hummm... Pensar em açoites me remete a lembranças do que não ocorreu infelizmente porque, por motivos bem consistentes, não sucumbi a teus charmes e investidas. E olha que foi difícil!
Por diversas vezes, por conta da volúpia, do desejo fremente por sexo, a gente acaba perdendo a cabeça, mas eu consegui superar as emoções, sensações e tentações do momento e pensar nas consequências de meus atos. Tipo, eu não poderia me sujeitar aos teus anseios, perder a compostura e sofrer depois, sem você e sem o amor-próprio.
Sei. Fiz uma escolha difícil! Não seria nada mal perder-me por completo nas mãos, lábios e tudo o mais de um desconhecido, lindo, fofo, charmoso, com pegada e, sobretudo, com sentimentos tão ternos e ao mesmo tempo carnais, cuja fisionomia rezo por não esquecer.
Deus e eu sabemos o quanto sofri (e sofro) por tentar ser correta no agir. Certo que cubro um santo descobrindo o outro, entretanto tenho tentado acertar e isso tem me posto a refletir se realmente vale a pena. Decerto desconheço essa certeza e acho que nunca terei afirmação concreta a respeito disso. Na verdade, nem sei se quero saber.
Pode ser que ninguém me entenda e certamente não me importo com isso. Opiniões alheias me dão náuseas na maioria das vezes. Contudo você precisou do “baque” da negação. Nem todas as mulheres querem apenas sexo, assim como nem todas almejam compromisso ou algo similar. Quanto a mim? Bem, não podia me sujeitar a sua proposta indecente (não me refiro ao ato sexual em si, sim as circunstâncias e pormenores) e seu pensamento egoísta. E aí eu te perdi provavelmente da forma que te perderia.
Eu havia prometido pra mim que não perderia as estribeiras, entretanto me pego insistentemente olhando tua imagem em meu celular ou computador, imaginando cenas lindas de nós dois juntos. Uma mulher circunspecta sentindo-se adolescente e, por mais que eu tente negar, já estou comprometida num relacionamento com uma simples fotografia, uma imagem que me olha atônita, pasma devido minha atitude. E sei que devo me livrar, que é só minha mente, daí recordo-me da tua voz quente e deliciosa e da maneira que entregou seus sentimentos teimosamente a mim. E definitivamente não sei de mais nada e simplesmente me perco buscando te achar.

Diga-me agora: Onde você está?

(Luzitânia Silva)

RELACIONAMENTO


Não estou bem nem zen, nem nada
Estou perdida na estrada
Nos caminhos que tracei
E preciso de ajuda, por favor,
não me deixe
Ou deixe, não sei...
Porque a vida é sua e você não tem o direito de sofrer por mim
Também não posso te dar garantias de alegrias
Como daria, se só ando entristecida?
Se não lembro o que é amor, se não vivo de fato a vida?
Você não merece sofrer
Você não merece ter o fardo que sou!
Você carece de amor,
E não sei se posso te dar,
nem me dar,
sei lá...

Deixe-me no meu canto
Aos gritos e crises,
desencantos...
Ou me diga algo para que talvez eu possa melhorar
Se puder,
se quiser,
se der para você.
Não te exijo nada, porque não mereço
Mesmo sabendo que já te amei, muito mais que minha vida
Mas agora nada posso dizer,
Pois não se diz o que não se sabe nem se tem certeza.
Não seria justo te enganar!
Nesse exato instante estou calma, talvez daqui a pouco não,
No entanto te desejo felicidades
Comigo ou sem mim
Sem privar sua liberdade
Sem promessas de amar-te até o fim!

(Bela de Azevedo/ Luzitânia Silva)

LUZ

 Luz
a vida precisa de ti
necessita de teu olhar mais encorajado
que teus limites sejam ultrapassados
e que ames sem fim
Luz
há algo primoroso a seguir
veja a vida de outro ângulo
tu tens tudo ou quase tudo
não apenas exista, Viva!
Viva, Luz, viva, querida!
Viva em mim...!


(Luzitânia Silva)

ESPERANÇAS


Leve de mim
Meus ossos
Meu coração pulsante,
Extirpe-o do meu peito
Pena que já pisastes antes!
Arranque meus olhos
Sugue o meu sangue
Destrua minhas entranhas
E meu cérebro errante
Não permita que eu sinta o teu cheiro
Cheiro doce e inebriante do pecado
Toma minha carne
Finda minha vida
Aproveita e suprima minha alma
E leve contigo as esperanças
Essas últimas e insensatas que insistem em não morrer...


(Luzitânia Silva)

Precisa-se de amigo


Nós precisamos de amigos
Não daqueles que nos chamam tão somente para 'farrear',
Mas daqueles que nos dão a mão quando precisamos
Aqueles que podemos contar.

Precisamos de afago nos momentos tristes
Carecemos de sorrisos,
Abraços
E palavras duras também
Amigos só querem o bem!
Amigos verdadeiros são indispensáveis
O caminhar, com eles, é muito mais feliz
Amigos verdadeiros são uma raridade
(Poucos conseguem encontrar!)
Mas quando acham, encontram a felicidade
Amizade, sinônimo de amar.

(Luzitânia Silva)

APRENDIZ

Em meus devaneios (ora profundos, ora superficiais), pego-me a contemplar as magníficas coisas que a vida nos oferece e tem a nos abonar. Reflito acerca do que corrói o peito e que, mesmo às vezes parecendo desnecessário, é de suma importância para o nosso crescimento, principalmente em termos emocionais.
Refletindo sobre a vida, visualizei algumas nuances, um emaranhado de ideias veio à mente, uma miscelânea de sentimentos explodia em mim. Ninguém ouviu. Ninguém sentiu. Era uma mixórdia mental e pessoa alguma poderia me ajudar. Certamente ninguém se disporia a isso.
Perdi-me, de certo modo, em meus anseios, meus medos, meus prognósticos. Minha mente túrbida enlouquecia aos poucos (ou muitos), tanto que meus olhos tristes suplicavam uma maneira de desabafar. Eles não podiam lacrimar, no entanto, depois de disfarçarem a dor sentida em minh’alma, não se contiveram. Desaguaram, contudo não fora o suficiente. Um rio habitava em mim e não podia transbordar.
Guardei comigo minhas inquietações, até certo ponto. Quisera vomitar as palavras, até sarar, porém não me expressei o suficiente. Deveria me desnudar ainda mais? Decerto não. Resolvi acreditar. Tentar me reerguer. Apostar.
Talvez eu quebre a cara depois, mas preciso disso: cair e levantar. Ser uma aprendiz aplicada da vida.

(Luzitânia Silva)

ELE GOSTA DE BESTEIROL E EU DELE


Não me interesso previamente por pessoas que não tem bom humor. Não que eu seja um exemplo de mulher que anda gargalhando delirantemente na rua, mas, fala sério, pessoas que nunca acham graça de nada me deixa enfadada. Com isso, não pretendo dizer que de modo algum me relaciono com indivíduos maldispostos ao riso, afinal essa não é a única característica que valorizo em alguém, contudo também não descarto sua relevância.
É difícil achar um alguém que seja bonito, inteligente, trabalhador, amável e acima de tudo bem-humorado, entretanto encontrei com facilidade. Ele gosta de besteirol, riso frouxo e eu dele.
Falamos besteiras saudáveis, tipo aquelas brincadeiras bem bobonas que nos fazem rir à-toa ainda assim. Ele me chama de "menina abestada" e eu riu "marromeno".
Sabe aqueles vídeos no youtube que praticamente ninguém acha graça? Então... ele racha de rir e joga a cabeça pra trás, me deixando extasiada com sua beleza simples e pueril. Não é só isso também. O bom-humor dele perpassa o besteirol e se torna estado de espírito, chegando a ser contagiante. Meu crianção de trinta anos. Alguém inesquecível por sua autenticidade e querido por ser simplesmente quem é.

(Luzitânia Silva)

QUERO SEGUIR SÓ

Quero seguir só. Escolhi isso pra mim.
Chega de amores perfeitos ou imperfeitos, não quero ouvir mais nada a respeito. Chega de tudo isso!
A escolha é minha. A vida é minha. Eu que quero assim...
Chega também de ilusões, também não quero iludir. Meu coração está bem e não almejo reviravoltas... Não quero por hora perder o juízo. Pretendo estar sóbria até o momento oportuno. Até não haver condições de resistir...
Não se iluda comigo, sou complicada e Imperfeitinha,
frustrante até. No fim, sou uma mulher que quer apenas viver, que tem direito de escolha, pode fazer o que quiser e não precisa de um relacionamento afetivo pra se completar. Eu me completo. Ou não... E daí?
Liberdade é o que almejo e obrigada por entender... Ou não!


(Luzitânia Silva)

MAIS RESPEITO E AMOR, POR FAVOR!


Como a pessoa metamorfoseada que sou, permito-me a discordância não raras vezes. Discordo inclusive de ter discordado de algo que opinei no passado e entendo que isso me torna um ser humano complexo e mutável. Falando nisto, lembro-me de ter dissentido de uma frase cantada e dita pelo saudoso Renato Russo: “A humanidade é desumana”, entretanto hoje compartilho da ideia, pois são observáveis atrocidades, chegando a embrulhar o estômago, me impulsionando a desacreditar no belo e bom.
Pessoas tiram vidas de outras por motivos que chegam a ser bizarros, onde fica evidente a busca irracional pelo poder e o sentimento da suposta superioridade em relação aos demais. Pais matando filhos, filhos matando pais, marido esfaqueando esposa, namorada castrando namorado, intimidades sendo reveladas nas redes sociais, disputas de gangues, disputa por poder, xenofobia, homofobia, racismo, dentre outros fatos que deixam os nervos à flor da pele e o cabelo em pé.
A falta de respeito pode ser percebida quando um ser dito “superior” tenta espezinhar e menosprezar alguém que já está numa situação desfavorável. No Rio de Janeiro, por exemplo, através de grupos formados nas redes sociais, jovens de bairros ricos propõem agir como milícias, fazendo uma “limpa”, tencionando linchar pessoas da periferia, criminalizando deste modo a pobreza ao tratar trabalhador como delituoso.
Outro exemplo visível se dá através do discurso separatista de indivíduos com classe financeira alta que não querem se “misturar” com pessoas de menor poder aquisitivo. Execuções também não são nada raras. Na Arábia Saudita mais de 100 pessoas neste ano foram mortas por se manifestarem contra as ideias do governo. Sem contar o Estado Islâmico, um grupo de extremistas sunitas espalhados pela Síria e Iraque, também conhecido como EI, que chama a atenção do mundo pela forma de ação cruel. Por falar em Síria, uma cinegrafista, Petra László, chutou refugiados imigrantes fugitivos do controle policial na Hungria numa área perto da fronteira com a Sérvia.
O ser humano é a vítima e o próprio algoz, “mas ainda temos chance” de mudar a realidade em que estamos insertos, como o próprio Renato Russo cantava. Ainda existe afabilidade no coração das pessoas. Ninguém é de todo mal, contudo precisamos propagar a bondade, o respeito e o amor. Devemos jogar sementes, mesmo quando a terra não pareça fértil. Necessitamos regá-la todos os dias. Precisamos ser menos escravos da maldade e ego inflado para sermos humanos de fato.
Mais respeito e amor, por favor!


(Luzitânia Silva)

HOJE DÓI

Está doendo um pouco. Minto, na verdade está doendo muito e não sei de fato o que fazer, como caminhar, como fugir de tudo isso. Meio que estou me perdendo procurando te achar nesses dias tempestuosos, contudo venho te desmerecendo.
Na verdade tenho me perdido e o culpado não é você, sou eu, mesmo que às vezes eu busque culpar alguém pelos erros meus. Desculpe minha humanidade e falta de jeito.
Hoje dói porque seria nosso dia, nosso encontro de almas, de sorrisos e troca de olhares furtivos e demorados.
Hoje dói porque sentiria o teu cheiro mais próximo e o abraço mais apertado e duradouro depois de tanto tempo. Um abraço de pelo menos vinte e cinco segundos, seguido de palavras doces ditas ao pé do ouvido, leves tremores e torpores.
Hoje dói, todavia não dói, porque ainda existe esperança e ainda há dias vindouros. Embora estes demorem um bocado, não percamos a fé. Não percamos o amor.
Hoje dói, porém que o amanhã nos traga leveza e alegrias desmedidas. Que o futuro me traga você para mais perto de mim, como os ventos que sopram afáveis e como as ondas do mar que molham a areia seca.


(Luzitânia Silva)

HUMANIDADE

Certo dia, em meio aos meus devaneios, fiquei refletindo sobre a vida, os sentimentos e o que eles proporcionam. Vendo as estações se confundirem, percebi que, por muitas vezes, também nos equivocamos. Choramos quando se faz desnecessário, rimos em momentos impróprios, padecemos quietos quando deveríamos gritar e nos contivemos em ocasiões em que a felicidade quer transbordar...
Talvez agora, nesta idade em que me encontro, munida às experiências tidas e com um pouquinho a mais de maturidade que outrora, tenho posto em conta o quanto a vida pode ser extraordinária e/ou triste. Sabe, às vezes o destino prega peças na gente. De forma iterada ou atípica, as coisas/situações vão se (des)encaixando.
Sei que é clichê falar (todavia não me conterei em exprimir o que penso): devemos aproveitar cada instante! Precisamos nos recompor e nos despir. Errar e acertar sem nos importar tanto assim.
Encucar por qualquer motivo pode adoecer.
Sejamos leve. Sejamos brisa, contudo fixemos também nossos pés no chão. Só nós sabemos da nossa existência, nossas lutas diárias, nossos medos, nossos pensamentos mais íntimos...
Ninguém tem o direito de nos menosprezar, assim como não devemos utilizar dessa arma contra ninguém. As pessoas precisam ser mais ouvidas e não apontadas. A dor, a rejeição, os sentimentos negativos podem sufocar.
Por vivenciar de perto os males da ansiedade e da depressão, vou constatando que um dos causadores dos pensamentos de vitalidade ou mortíferos resultam do meio em que estamos inseridos, fazendo-se necessário que ergamos nossas cabeças e lutemos (por nós mesmos e/ou pelos outros). Carecemos de Humanidade!

Para refetir:
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a segunda maior causa de mortes entre pessoas de 15 a 29 anos.


(Luzitânia Silva)
Nós nascemos e findamos nosso ciclo na terra sozinhos. Não obstante, indiscutivelmente ninguém permanece só por toda a vida.
Apesar da nossa real necessidade das relações sociais, ter amigos verdadeiros tem se tornado cada vez mais raro: caso os encontre, preserve-os. De todo o modo, tenho observado que devemos aprender a estar mais presentes na vida do outro (dar colo, puxão de orelha, carinho, atenção...) e mais ciente da própria importância para não aceitar migalhas. Quando se busca apenas favorecer a um em detrimento do outro isso pode ser qualquer qualquer coisa, menos amizade.

(Luzitânia Silva)

A FUGACIDADE DA VIDA

Ultimamente, todos os dias quando vou trabalhar, tenho encontrado meu vizinho, um senhor de quase noventa anos, apoiado à janela de sua casa ou sentado na varanda, olhando vagamente para um ponto fixo, sem de fato vê-lo. Como a correria cotidiana é tamanha, apenas o cumprimento e sigo meu trajeto com certo pesar.
Certo dia, como estava de folga, resolvi puxar conversa, determinada a “mexer na ferida”. Ciente do internamento de sua esposa, questionei acerca do estado da saúde dela e ele, com tristeza no olhar, falou sobre a fragilidade. Disse-me que já sentia sua ida e não compreendia como ele, sendo o esposo, não poderia ficar ao seu lado nesse momento de tremenda dificuldade. Apenas visitá-la em horários pré-estabelecidos é uma tormenta.
Vi que seus olhos avermelharam e suas mãos ficavam ainda mais trêmulas, mesmo assim, confessou-me não entender porque um vai e o outro fica. Falou-me de sua vida de casados, seus sessenta e quatro anos de amor e comprometimento. Deu-me uma lição do que realmente devemos dar importância na efemeridade de nossas vidas.
Ele sabia que a perdia aos poucos. Sua amada não se encontrava como outrora, seu semblante já não era o mesmo, a voz que sobressaia era de seu olhar suplicante: a certeza do fim.
Ontem, a última vez que o vi, soube do falecimento de sua amada. Apesar de ter me dado a notícia com aparente tranquilidade, consegui enxergar sua angústia e percebi seu esforço em se mostrar forte diante de todos. Ninguém enganou ninguém. Saí ao notar sua real angústia. Não quis desmoronar pela dor sentida por ele e de frente a ele.
Após o ocorrido, fiquei me questionando sobre qual é o sentimento de perder alguém que se ama. Cheguei a uma simples conclusão: só quem passou por isso sabe o que sente. Uma coisa é certa: precisamos AMAR, CUIDAR mais do outro. A vida é tão fugaz...

(Luzitânia Silva)