sexta-feira, 27 de julho de 2018

MEUS ERROS


(Luana Assis)

Estou dando mole. Eu sei. Nem precisa discorrer. Brinco com fogo e não tenho cautela. Cuidado! Vou me queimar. 

Amedrontada, por vezes, ainda assim, continuo a cometer os mesmos erros. É até esdrúxulo, paradoxal. Erros antigos cuja única mudança diz respeito aos envolvidos: sou figurinha carimbada. O contexto é quase imutável. 

Sem sibilar faço charme. Sorvo tua bebida, me deliciando ao te ver me deliciar. Acho graça e tiro onda. Rio alto. Subo no salto. Pisco e encanto. Deixo marcas vermelhas do meu batom no teu rosto e onde mais intenciono. O propósito de fato é abalar todas as estruturas possíveis. Jogo sem me atentar às regras criadas apenas para importunar minha inteligência.

Brinco de ludibriar alguém e saio iludida. Descaradamente sou santa até que provas contrárias sejam apresentadas contra mim. E não é difícil de achar. Deixo rastros diariamente para me incriminar enquanto rio, atrevida, até que a verdade antes esconsa venha à tona e as lágrimas escorram pelo meu rosto e eu culpe outrem pelos erros meus.

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PESADELO




Madrugada fria, palavras ao vento, uma voz do outro lado do telefone... Ouço um sussurro, letras que não casam, frases soltas no ar... Agora estou só. Sinto-me exatamente assim. Abraço minhas pernas enquanto sentado, meu coração almeja saltar, gritos querem sair da garganta desesperados, lágrimas quentes insistem em aquecer meu rosto. Estou só.
Não, não aguento essa dor estranha, esse pressentimento que me adoece, esse vazio dilacerante, a tristeza que se alojou em meu peito. Parece doentio, mas preciso de você e já sinto falta de sua presença em minha vida. Em minha cabeça, vejo-te escorrendo por entre meus dedos, andando praticamente sem olhar pra trás, em busca de outra direção. Não hei de te deixar ir assim, não é justo. Sou homem, porém não me envergonho de confessar meu medo.
Nunca imaginei que sentiria tanto. Saudade pra mim tem nome, cheiro, sorriso e endereço. Endereço longe do meu. Infelizmente.
Descabelo-me por alguns instantes, arquiteto planos, respiro fundo, tento entender cada detalhe. Pode parecer insano, contudo já me arrisco em me imaginar sem você. Vejo-me menos feliz. Falta-me desde já o que me transborda. A cabeça dói, tudo fica ainda mais confuso e embaçado. Abro os olhos e te vejo lindamente dormindo ao meu lado. Ufa! Foi apenas um pesadelo! Deixa-me te acarinhar, aconchegar-te em meus braços, sentir o perfume da tua pele e de seus cabelos, minha linda princesa.


(Luzitânia Silva)

ENCONTRO E DESPEDIDA


Ele estava chegando. Ela fez como Saulo: arrumou a casa e preparou o coração, esperando a chegada tão sonhada do seu amor. Coração batia forte e uma ansiedade gritava em ambos. Os passos seguiam rumo à mesma direção, o fortalecimento da intimidade e do amor dos dois.
Ela sorriu e se apressou em cumprir com seus deveres. Estava meio nervosa. Em poucos minutos ele entraria em sua casa e tomaria conta por completo do seu coração.
Resolveu inventar algo a fazer. Se ficasse o esperando, o nervosismo e a ansiedade tomariam conta por completo. Não seria nada legal que ele viajasse tanto e a encontrasse de mau humor e meio histérica.
Ele já havia chegado. Estava sentado à sua espera. Ela chegou com um sorriso nos lábios e meio sem jeito. Deram-se um abraço apertado e seguiram juntos à casa onde ela residia, o que para os dois era uma novidade e meio estranho até.
Após os momentos necessários para se sentirem confortáveis e tranquilos com a novidade, depois de poderem se abraçar verdadeiramente, aproveitando e sentindo o conforto um do outro, o toque, o cheiro, as emoções, o corpo... Depois de todas as novidades ocorridas, quando um não queria deixar escapar o outro... Ele teve que ir. Partiu novamente e a deixou ali, no mesmo lugar, porém não do jeito que a encontrou.
Ele se foi.
Ela ficou, mas uma parte foi com ele naquele ônibus.


(Bela de Azevedo)

DOCES LEMBRANÇAS





Ouço o canto das aves ao longe
Tão longe e tão perto...
Distante do mato,
Afastado da cidade
Mas dentro de mim,
Enfim...
Não tem aves aqui
Quase tudo se foi, se perdeu
Meu coração doeu
Mas a vida é assim...
Foram – se os verdes, os azuis, as cores e as flores
Porém as lembranças boas não sairão de mim.



(Luzitânia Silva)

Retrato Familiar




Há sombras
E mesmo assim o povo sorri
O povo que chora
Ó povo, quantas inglórias!
Ainda assim fazes festa
Dança, canta, pula
Para exorcizar os demônios
e trabalha
Quanto trabalhas meu povo!
Chega a indignar quando te chamam de baiano preguiçoso!

Vês aquela mãe faminta?
Acabou de dar o pão aos filhos.
Enxergas aquelas mãos calejadas?
O homem trabalha na roça para alimentar a família.
E aquela criança com roupas largas e chinelo de dedos?
Repara.
Vai à escola almejando um futuro
Porque o presente amedronta
Todavia a criança ainda sorri
Não reclama e ainda sonha
E como é bom sonhar!
Levanta a cabeça,
Guarda tua dor no bolso das tuas vestes surradas,
Mas não desista de lutar.

(Luzitânia Silva)

O verdadeiro herói




O que faz de você um herói?
Seria a beleza exterior descomunal?
A facilidade de vencer o mal?
Coragem para ultrapassar os obstáculos?
Lutar contra o monstro-polvo e seus tentáculos?
Defender o mundo do perigo?
Ter a agilidade de um falcão peregrino?
Ser guiado apenas por ideais nobres e altruístas?
Não permitir-se ser egoísta?
Seria o fato de ser motivado por questões moralmente justas e éticas?
Nunca se submeter à ilicitude mesmo que em situações adversas?
Digo-lhe, amigo: Nada disso é heroísmo!
O verdadeiro herói tem defeitos
Sente amor, rancor, tristeza, ódio...
É imperfeito.
Chora por não ter dinheiro para comprar
a comida para o rebento se alimentar
Paga caro para viver numa nação
Onde a minoria dita e passa a mão
no que é pertencente a todos nós
Heroísmo é trabalhar duro
Para criar os próprios filhos e os demais
Ser herói é viver num país
onde tudo tende a dar errado
e ainda assim,
desafiamos a previsão
e fazemos acontecer!

 (Luzitânia silva)

A importância da alimentação saudável


Ana, uma garotinha de onze anos, com aparente quatorze, loira, dos cabelos encaracolados e olhos amendoados, foi visitar sua amiga, Cátia, de doze anos que morava próxima a sua residência.
Após conversarem, brincarem, rirem a tarde toda, com consentimento da mãe de Cátia, resolveram sair para comer algo na pracinha propínqua. Sua amiga optou por salada de frutas, já Ana, como de costume, preferiu um cheeseburguer com batata-frita e refrigerante para acompanhar. Posteriormente, ao voltarem para casa, Ana, enjoada, começou a sentir dor de cabeça, dificuldade de respirar e tontura. Tiveram que parar no percurso, visando a melhora desta, contudo não obtiveram êxito. Um senhor que notava o ocorrido, ofereceu carona até o hospital e, mesmo hesitante, ela concordou. Seus pais foram acionados imediatamente, mesmo Ana acreditando ser apenas um mal estar passageiro.
Chegando ao hospital, ela foi logo atendida, queixando-se também de dor no peito e visão embaçada. Seus pais a acompanharam na consulta. Após os procedimentos necessários terem sido realizados, como a medição da pressão arterial, o médico relatou que o problema poderia estar relacionado à hipertensão, explanou a necessidade da alimentação balanceada, especialmente porque Ana e os pais aparentavam estar com sobrepeso. Ele ainda a encaminhou para um nutricionista e endocrinologista almejando melhor diagnóstico. Alertou ainda que, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) a hipertensão arterial é responsável pela morte de 9,4 milhões de pessoas por ano, em todo mundo, além de estar relacionada com 45% dos ataques do coração e 51% dos derrames cerebrais.
Depois do ocorrido, todos aprenderam a lição e passaram a valorizar a alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos, afinal, mudanças no estilo de vida são fundamentais.


(Luzitânia Silva)

Esperanças

Leve de mim
Meus ossos
Meu coração pulsante,
Extirpe-o do meu peito
Pena que já pisastes antes!
Arranque meus olhos
Sugue o meu sangue
Destrua minhas entranhas
E meu cérebro errante
Não permita que eu sinta o teu cheiro
Cheiro doce e inebriante do pecado
Toma minha carne
Finda minha vida
Aproveita e suprima minha alma
E leve contigo as esperanças
Essas últimas e insensatas que insistem em não morrer...


(Bela de Azevedo)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Motivacional


Sim, a gente precisa de luz. A gente precisa crer que as coisas darão certo e que isto não ocorrerá num piscar de olhos. Não é tão somente fazer um pedido à estrela cadente. Não se trata de esperar um milagre enquanto se está sentado, de braços cruzados. Não é permitindo que a mesmice e o cansaço invadam nossos lares. Certamente não é deixando o automático ditar as regras. Sim, as coisas melhorarão no momento certo, após arregaçarmos as mangas, entendendo que há o instante de parar e o de lutar com todas as garras possíveis. Fazer diagnóstico da solução é indispensável. Saber agir através dele é  mais importante ainda.
Nadar, nadar e não chegar a lugar algum é ruim. Morrer na praia não é o almejado, mas certamente não nadar é muito pior.
Bom dia!
Beijos de Luz