quarta-feira, 30 de maio de 2018

A GREVE DOS CAMINHONEIROS

Tenho cá minhas objeções a respeito da greve, porém, caso pudesse  dar um conselho aos caminhoneiros, sem titubear, diria: “Por favor, voltem às suas atividades, as coisas estão perdendo o rumo e isto não é necessariamente bom. Decerto, às vezes é imprescindível o caos para sairmos da zona de conforto, porém até que ponto vocês têm de se martirizar para mudar um país que não quer ser mudado?”.
Nem todos os aspectos desta greve que assola nosso país e afeta nossas vidas são, de fato, conhecidos, contudo, de forma inegável, a importância do caminhoneiro agora, mais do que nunca, é.
Indubitavelmente, seu trabalho é deveras difícil. Só quem vivencia pode discorrer com propriedade todos os problemas advindos da profissão. Por conta disto questiono:
“Sacrificar-se por pessoas, em sua maioria, acomodadas, vale a pena?”
Tenho observado indivíduos dando “jeitinhos”, visando lucros exorbitantes através da cobrança de preços abusivos. Já outros, habituados a reclamar dos valores absurdos dos produtos, comprando muitíssimo mais caro que o habitual. Isto é, apoiar uma classe já sofrida, com dias com incertezas, sem tomar banho direito, sem se alimentar devidamente, sujeita a intempéries?
Decerto, por conta de minhas suspicácias, tenho preferido apenas ficar observando os acontecimentos (e isto não me faz bem, confesso), concatenando e aguardando o momento, para mim, oportuno. Sinto-me na música intitulada “Ideologia” de Cazuza: “Aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo encima do muro”.
Por certo, estamos todos no mesmo barco e devemos nos unir em prol de algo maior e melhor, contudo adianta sofrermos ainda mais agora, nos desgastando ao extremo, se muito provavelmente, votaremos errado nas próximas eleições? Intervenção Militar é a solução? Temer é o único corrupto? Tirá-lo tão somente da presidência resolverá? Apenas em Brasília há corrupção? Receio que não! Precisamos estudar de modo minucioso a história do nosso país. De antemão, o mal (e o bom) do Brasil é o brasileiro. A gente tem (em todas as instâncias) o governo merecido. Somos a vítima e o próprio algoz.
Outubro está chegando: vamos repetir os mesmos erros? A hora de revolucionar se aproxima, estamos realmente preparados? Quem vai pagar, mais uma vez, toda essa conta?
Aguardemos cenas dos próximos capítulos.
(Luzitânia Silva)

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