Mais
um dia está passando nublado aos meus olhos e eu, ao fitá-lo, sinto uma parte
de minha fugir com o tempo. Não sei o motivo, mas ainda não aprendi a esquecer.
Até agora não descobri como ler nas entrelinhas. Não consegui deixar as coisas partirem
de forma simples, como as águas do rio que se movem constantemente.
As
águas seguirem seu curso é algo lindo de se ver, admiro-as por deixarem-se ir e
poder contemplar outras paisagens, contudo não consigo imitá-las.
Anseio,
em excesso, por algo que possivelmente não terei. Entrego-me de maneira fácil
quando me sinto disposta, sem amarras e sem segredos. Não sei ser a metade de
mim. Infelizmente não sou capaz de fingir. Ofereço-me por completo e me jogo de
cabeça, mesmo estando numa caverna e sem luz para me guiar.
Manter
relacionamentos amorosos é uma das minhas maiores dificuldades, pois não
consigo dosar, esconder meus defeitos com intuito de agradar e impressionar
alguém.
Exponho-me
às pessoas queridas. Se amo de fato, decerto não me tornarei misteriosa, não
cultivarei segredos. Simplesmente sou conforme vês e isso amedronta (e cansa), presumo.
A
nebulosidade do dia, mesmo se o sol está alto, tem mais a ver comigo do que com
o dia em si. Estou triste por dentro e isso dói. Dói saber que não mais terei
as oportunidades perdidas: você não está aqui.
Dói
saber da não ocorrência de nosso encontro, e por isso não andaremos de mãos
dadas na beira da praia, não tomaremos sorvete juntos, riremos ou nos veremos
mais.
Dói
saber que te intimidei e em nossa relação nunca existiu um “nós”. Na verdade, ela
sequer houve. Meu peito pulsa ainda mais agora, quando me dou conta de que em
nenhuma circunstância transcorrerá.
Dói
profundamente tudo em mim porque Você se foi.
Devo
aprender a esquecer.
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