Deixa
eu te amar, garoto. Não se amedronte com o que há de vir. O futuro vem, mas o
presente existe e não podemos descartá-lo. Não o deixe de lado, escondido no
canto. Ele é dádiva e precisa ser vivido.
Permita
te amar, meu garoto. Sorria pra mim faceiramente, deixe-me te provar que a
felicidade existe e está dentro de nós, só quero ajudar a descobrir a sua, ao
mesmo tempo em que buscarei encontrar a minha.
Garoto,
quantas vezes te vi sozinho, andando jovialmente, despreocupado, vestindo
roupas leves e com um sorriso estampado na face?! Gostaria de te enxergar assim
de novo, meu amor, mas em relação a seus sentimentos.
Queria
que amasse de modo mais leve, sem amarras, sem temores e sem dramas. Somos tão
jovens! – Já dizia o poeta certeiramente – e como somos! Porém entendo que não
pode apagar suas feridas e viver de imediato como o jovem que de fato és, meu
garoto. Sugiro apenas que se busque viver sua juventude antes do término, já
que a vida passa e às vezes nem vemos.
Aprochegue, meu menino/homem! Vem fazer morada em meu peito e se
desprenda do medo, amor! Seguiremos juntos, do nosso jeito, até que a
eternidade se finde e o “nós” seja apenas eu e “você” dissociados.
(Luzitânia Silva)
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