quarta-feira, 30 de maio de 2018

CARÊNCIA




Mendigar carinho e atenção é furada. Você acaba falando demais, contando seus segredos mais profundos, demonstrando suas fragilidades pra pessoas que muitas vezes não estão a fim de ouvir, ou pior, podem usar tudo contra você depois.
É difícil compreender, todavia nem todo mundo é seu amigo, nem todos querem seu bem e seus amigos não são psicólogos. Ocorre que eles também tem seus problemas, dificuldades e não são super-heróis. Erram, acertam, falam coisas impensadas e não concordam com tudo o que diz ou pensa, mesmo por vezes afirmando só pra você não ficar na pior.
Sei das dificuldades de hoje em dia, dessa falta de respeito ao próximo e solidariedade. Nem falo de amor. Falo do que é simples e o básico do básico.
Reclamamos de falta de tempo, do tédio, da fugacidade da vida, da falta de apego, das pessoas desinteressadas no bem comum. Mas e nós? O que estamos fazendo acerca disso? Será que somos tão perfeitos assim? Claro que não!
Propiciamos coisas negativas quando não agimos para a melhoria ou ficamos em cima do muro. Não faço menção da melhoria global, mas daquela local, que parece mínima e desinteressante, contudo é de grande valia e faz grande diferença.
Em meio a essa carência, onde buscamos amizades virtuais em detrimento das reais, procuramos estar inseridos num grupo          que, por vezes, nada tem a ver com nossa personalidade ou nos sujeitamos a situações arriscadas para ser aceitos, nos jogamos num abismo onde nossa vida se resume a ficção e nossa individualidade vai se perdendo aos poucos.
Sim, devemos nos policiar pra não acabarmos no fundo do poço, principalmente quando estamos carentes e algo nos seduz, nos tomando por completo, roubando nossa lucidez.

(Luzitânia Silva)

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