Madrugada fria, palavras ao vento, uma voz do outro lado
do telefone... Ouço um sussurro, letras que não casam, frases soltas no ar...
Agora estou só. Sinto-me exatamente assim. Abraço minhas pernas enquanto
sentado, meu coração almeja saltar, gritos querem sair da garganta
desesperados, lágrimas quentes insistem em aquecer meu rosto. Estou só.
Não, não aguento essa dor estranha, esse pressentimento
que me adoece, esse vazio dilacerante, a tristeza que se alojou em meu peito.
Parece doentio, mas preciso de você e já sinto falta de sua presença em minha
vida. Em minha cabeça, vejo-te escorrendo por entre meus dedos, andando
praticamente sem olhar pra trás, em busca de outra direção. Não hei de te deixar
ir assim, não é justo. Sou homem, porém não me envergonho de confessar meu
medo.
Nunca imaginei que sentiria tanto. Saudade pra mim tem
nome, cheiro, sorriso e endereço. Endereço longe do meu. Infelizmente.
Descabelo-me por alguns instantes, arquiteto planos,
respiro fundo, tento entender cada detalhe. Pode parecer insano, contudo já me
arrisco em me imaginar sem você. Vejo-me menos feliz. Falta-me desde já o que
me transborda. A cabeça dói, tudo fica ainda mais confuso e embaçado. Abro os
olhos e te vejo lindamente dormindo ao meu lado. Ufa! Foi apenas um pesadelo!
Deixa-me te acarinhar, aconchegar-te em meus braços, sentir o perfume da tua
pele e de seus cabelos, minha linda princesa.
(Luzitânia Silva)
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