Ele estava chegando. Ela fez como Saulo: arrumou a casa e preparou o coração,
esperando a chegada tão sonhada do seu amor. Coração batia forte e uma
ansiedade gritava em ambos. Os passos seguiam rumo à mesma direção, o
fortalecimento da intimidade e do amor dos dois.
Ela sorriu e se apressou em cumprir com seus deveres. Estava
meio nervosa. Em poucos minutos ele entraria em sua casa e tomaria conta por
completo do seu coração.
Resolveu inventar algo a fazer. Se ficasse o esperando, o
nervosismo e a ansiedade tomariam conta por completo. Não seria nada legal que
ele viajasse tanto e a encontrasse de mau humor e meio histérica.
Ele já havia chegado. Estava sentado à sua espera. Ela
chegou com um sorriso nos lábios e meio sem jeito. Deram-se um abraço apertado
e seguiram juntos à casa onde ela residia, o que para os dois era uma novidade
e meio estranho até.
Após os momentos necessários para se sentirem
confortáveis e tranquilos com a novidade, depois de poderem se abraçar
verdadeiramente, aproveitando e sentindo o conforto um do outro, o toque, o
cheiro, as emoções, o corpo... Depois de todas as novidades ocorridas, quando
um não queria deixar escapar o outro... Ele teve que ir. Partiu novamente e a
deixou ali, no mesmo lugar, porém não do jeito que a encontrou.
Ele se foi.
Ela ficou, mas uma parte foi com ele naquele ônibus.
(Bela de Azevedo)
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