(Luana Assis)
Estou dando mole. Eu sei. Nem precisa discorrer. Brinco com fogo e não tenho cautela. Cuidado! Vou me queimar.
Amedrontada, por vezes, ainda assim, continuo a cometer os mesmos erros. É até esdrúxulo, paradoxal. Erros antigos cuja única mudança diz respeito aos envolvidos: sou figurinha carimbada. O contexto é quase imutável.
Sem sibilar faço charme. Sorvo tua bebida, me deliciando ao te ver me deliciar. Acho graça e tiro onda. Rio alto. Subo no salto. Pisco e encanto. Deixo marcas vermelhas do meu batom no teu rosto e onde mais intenciono. O propósito de fato é abalar todas as estruturas possíveis. Jogo sem me atentar às regras criadas apenas para importunar minha inteligência.
Brinco de ludibriar alguém e saio iludida. Descaradamente sou santa até que provas contrárias sejam apresentadas contra mim. E não é difícil de achar. Deixo rastros diariamente para me incriminar enquanto rio, atrevida, até que a verdade antes esconsa venha à tona e as lágrimas escorram pelo meu rosto e eu culpe outrem pelos erros meus.
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