Há sombras
E mesmo assim o povo
sorri
O povo que chora
Ó povo, quantas
inglórias!
Ainda assim fazes
festa
Dança, canta, pula
Para exorcizar os
demônios
e trabalha
Quanto trabalhas meu
povo!
Chega a indignar
quando te chamam de baiano preguiçoso!
Vês aquela mãe
faminta?
Acabou de dar o pão
aos filhos.
Enxergas aquelas mãos
calejadas?
O homem trabalha na
roça para alimentar a família.
E aquela criança com
roupas largas e chinelo de dedos?
Repara.
Vai à escola
almejando um futuro
Porque o presente
amedronta
Todavia a criança
ainda sorri
Não reclama e ainda sonha
E como é bom sonhar!
Levanta a cabeça,
Guarda tua dor no
bolso das tuas vestes surradas,
Mas
não desista de lutar.
(Luzitânia Silva)
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